Herpes Genital: guia completo com tudo o que você precisa saber

herpes genital
Foto de Dra. Aline Araújo

Dra. Aline Araújo

Ginecologista e Obstetra
CRM-SP 203476 RQE 99553

Provavelmente você conhece ou já viu alguém com herpes labial, não é mesmo?! Já o herpes genital não é tão aparente, uma vez que aparece na região íntima, mas ele costuma causar ainda mais desconforto que o primeiro.

Dos principais sintomas do herpes genital, destacamos:

  • Feridas ou bolhas na região íntima;
  • Dor ao urinar;
  • Coceira e ardência na área íntima;
  • Corrimento incomum;
  • Fadiga. 

Acompanhe a leitura deste guia, cara leitora, para entender tudo o que você precisa saber sobre herpes genital.

O que é o herpes genital?

O herpes genital é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) causada pelo vírus Herpes simplex (HSV). 

Ele se manifesta provocando feridas ou bolhas em áreas íntimas, como: vulva, vagina, ânus, coxas e nádegas. 

O vírus causador do herpes genital permanece no organismo da paciente em estado latente, ou seja, inativo, podendo ser reativado em períodos de baixa imunidade e/ou estresse.

Estimativas da OMS sugerem que cerca de 846 milhões de pessoas com idade entre 15 e 49 anos estão infectados com o vírus, como mostra matéria do g1. Isso representa 1 em cada 5 pessoas dessa faixa-etária. 

Quais são os principais sintomas do herpes genital?

A manifestação do herpes genital varia de pessoa para pessoa, principalmente em se tratando de intensidade e duração dos sintomas.

Quanto antes o diagnóstico for feito e o tratamento administrado, menores vão ser as complicações da infecção. 

Em vista disso, é imprescindível ficar alerta aos sintomas. Os principais deles são:

  • Lesões na região íntima: bolhas cheias de líquido podem aparecer na área genital, anal, nas nádegas ou na coxa e depois elas evoluem para lesões superdoloridas, que por fim viram crostas e cicatrizam;
  • Dor e coceira: o herpes genital geralmente provoca dores e coceiras intensas. Formigamento e queimação nas áreas afetadas costumam aparecer antes de as lesões se manifestarem;
  • Corrimento: em algumas mulheres, pode aparecer um corrimento vaginal aquoso e incomum;
  • Dor e ardência ao urinar: outro sintoma provocado pelo herpes genital é a dor e a ardência ao urinar. Isso acontece porque a urina pode irritar ainda mais as lesões que ficam perto da uretra (canal por onde se elimina a urina contida na bexiga), gerando dor intensa;
  • Febre baixa e mal-estar: esses sintomas são mais comuns no primeiro episódio de herpes genital e podem não se repetir nos demais;
  • Dor e ardência ao evacuar: quando as lesões se manifestam perto do ânus, pode haver dor ao evacuar. 

Herpes genital é grave?

O herpes genital, na maioria dos casos, não é considerado grave, embora possa afetar a saúde geral da paciente.

Isso porque, como já vimos aqui, ele pode causar dor, bolhas, ardência ao urinar e prejudicar também o bem-estar mental também. 

Apesar de não ser diretamente um agente causador do câncer, pesquisas mostram que quem tem herpes genital está mais suscetível a contrair vírus oncogênicos, como o HPV, diretamente ligado ao câncer no colo do útero

Em pacientes com imunidade baixa, as manifestações de herpes genital podem ser mais frequentes e intensas, o que exige um acompanhamento médico mais assíduo. 

Herpes genital: como pega?

De antemão, vale a pena destacar que o herpes genital se espalha mais facilmente de homens para mulheres e não o contrário. Então, as mulheres estão mais suscetíveis a contraí-lo. 

O contágio do herpes genital se dá principalmente via contato sexual sem proteção, seja por sexo vaginal, anal ou oral. 

Outra maneira de transmitir o herpes genital é pela chamada “transmissão vertical”, que acontece da mãe para o recém-nascido durante o parto vaginal. 

É importante destacar que o herpes genital pode ser transmitido mesmo se a pessoa infectada não apresentar lesões aparentes. 

Outro ponto significativo é que trocar beijos ou praticar sexo oral com alguém que esteja com herpes labial ativo pode desencadear o herpes genital. 

Vale lembrar que o herpes labial pode ser pego não só por meio de beijos, mas também por objetos infectados, como protetor labial, copos e utensílios que levamos à boca. 

Destacamos ainda que o herpes genital é uma infecção vitalícia; uma vez contraído o vírus, para sempre ele estará no corpo da paciente — ainda que de forma latente, como já dissemos aqui. 

Como prevenir o herpes genital?

As principais medidas preventivas contra o herpes genital são:

  • Usar preservativo em todas as relações sexuais, sejam elas vaginais, orais ou anais;
  • Diminuir o número de parceiros sexuais, já que a maioria das pessoas com o vírus desconhece a própria condição, podendo, então, infectar as(os) parceiras(os). 
  • Evitar o contato sexual quando o herpes (seja labial ou genital) estiver ativo;
  • Não compartilhar objetos pessoais, como copo, batom, protetor labial, toalha, roupa íntima, lâminas de barbear, talheres, copos canudos. 
  • Evitar o sexo oral com pessoa com herpes labial ativo;
  • Cuidar do sistema imunológico por meio de dieta equilibrada, sono adequado e manejo do estresse.

Qual exame detecta herpes genital?

De antemão é importante deixar claro que o diagnóstico correto do herpes genital é imprescindível para confirmar a infecção e dar início ao tratamento adequado. 

De maneira geral, o diagnóstico é feito clinicamente pelo médico (ginecologista, urologista ou dermatologista), por meio de:

  • Avaliação dos sintomas;
  • Análise física da área íntima;
  • Conhecimento do histórico da saúde sexual da paciente. 

Além disso, diferentes exames laboratoriais ajudam na elaboração do diagnóstico. Confira abaixo os principais deles:

PCR

Polymerase Chain Reaction ou Reação em Cadeia da Polimerase, em português. Esse exame identifica o material genético do vírus, confirmando a presença do Herpes simplex mesmo quando sua manifestação for assintomática.

Cultura viral 

Coleta direta de material da ferida ativa da paciente, sendo a amostra colocada em condições especiais para que o vírus se multiplique e facilite a diferenciação do herpes labial para o herpes genital.

Assim, fica mais fácil estabelecer o tratamento mais adequado. 

Lembrando que o ideal é que o material seja coletado nos primeiros dias das lesões, quando o vírus está ativo. 

Exame de sangue

Detecta anticorpos contra o vírus do herpes genital, mostrando se a pessoa teve contato com o Herpes simplex, ainda que não apresente lesões visíveis nem outros sintomas.

Existe cura para o herpes genital?

Como dissemos anteriormente, uma vez contraído o vírus do herpes genital, ou seja, após a infecção inicial, para sempre ele ficará no organismo, mais precisamente nos nervos, ainda que “adormecido”.

O herpes genital será reativado quando a paciente estiver com a imunidade baixa — decorrente especialmente de privação de sono, estresse e fadiga.

Mas, é importante lembrar, os sintomas podem ser controlados ao se cumprir o tratamento recomendado pelo médico. 

O tratamento ajuda também a diminuir o risco de transmissão para outras pessoas.

Então, é imprescindível fazer o acompanhamento médico para monitorar e controlar a doença, minimizar os sintomas e diminuir, enfim, os episódios de herpes genital. 

Quais são os medicamentos para o herpes genital?

Como já mencionamos aqui, o herpes genital não tem cura, mas tratamento. Ele busca reduzir e diminuir a duração dos sintomas da doença (bolhas, ardência, dor etc.). 

Confira, a seguir, os principais medicamentos para tratar o herpes genital!

Antivirais

Impedem a proliferação do vírus Herpes simplex, aceleram a cicatrização das lesões causadas pelo herpes, aliviam os sintomas de forma geral e diminuem o risco de transmissão e recorrência da doença.

Quando o herpes genital se manifesta pela primeira vez, recomenda-se que o antiviral seja administrado por 7 a 10 dias. Na recorrência, esse período varia de 1 a 5 dias. 

Medicamentos tópicos

Pomadas com aciclovir ou penciclovir (antivirais) ajudam a reduzir os sintomas do herpes genital, como coceira e ardência e a acelerar a cicatrização das lesões causadas pelo vírus.

Aqui é importante destacar que o uso de medicamentos tópicos — os cremes anestésicos também são recomendados, pois eles ajudam a diminuir o desconforto causado pelas lesões — é complementar ao tratamento do herpes genital, não substituindo a terapia oral

Terapia supressiva

É indicada a pacientes que apresentam manifestações frequentes de herpes genital (pelo menos seis episódios por ano).

A terapia supressiva consiste em administrar doses diárias e mais baixas de antivirais, como aciclovir ou valaciclovir, por exemplo, a fim de evitar recorrência e diminuir os riscos de transmissão.

Esse tratamento, que deve ser seguido por orientação médica, é capaz de reduzir significativamente a quantidade e intensidade das manifestações do herpes genital, trazendo mais qualidade de vida à paciente. 

Quais são as complicações do herpes genital?

Neste tópico, cara leitora, vamos apresentar as complicações que o herpes genital pode trazer:

  • Transmissão para o parceiro: como já apresentamos aqui neste guia, mesmo se a pessoa infectada estiver assintomática, a transmissão do herpes genital pode acontecer;
  • Inflamação do ânus ou da uretra: se as lesões do herpes genital se manifestarem perto do ânus ou da uretra, essas regiões podem ficar inflamadas;
  • Infecções secundárias: lesões abertas ficam suscetíveis a outras infecções, essas causadas especialmente por bactérias, o que pode aumentar a dor causada pelo vírus;
  • Meningite asséptica ou encefalite: é raro, mas o herpes genital pode afetar as membranas que revestem o cérebro e a medula, desencadeando dor de cabeça ou rigidez no pescoço;

A chamada encefalite herpética é quando o vírus atinge o cérebro, gerando febre alta, confusão mental e convulsões. Neste caso, é preciso buscar orientação médica com urgência. 

  • Pneumonia ou hepatite: pacientes com imunidade baixa podem desenvolver a pneumonia herpética, causada pela disseminação do herpes genital;

Essa pneumonia causa tosse, febre e falta de ar, exigindo atendimento médico imediato. 

O fígado também pode sofrer com o herpes genital. Quando esse órgão é atacado, a paciente é levada à hepatite herpética, que causa dores abdominais, mal-estar e icterícia 

  • Prejuízo psicológico: estresse e ansiedade costumam acometer pacientes com herpes (tanto o labial quanto o genital);

Isso porque a paciente pode ficar com crise de autoestima e ter vergonha de manter relacionamentos devido à condição imposta pela doença. 

Qual é a relação entre herpes genital e gravidez?

O herpes genital na gravidez exige uma atenção redobrada, pois ele pode ser transmitido ao bebê durante o parto

Para evitar expor o recém-nascido a esse contágio, que pode avançar para o chamado “herpes neonatal” e levar o bebê inclusive à morte, muitos médicos costumam recomendar a cesariana. 

Dito isso, destacamos também que a gestante tem mais risco de transmitir o herpes genital ao bebê se estiver com o vírus ativo no momento do parto. 

Caso o vírus esteja inativo, isto é, sem apresentar sintomas, como feridas visíveis, a transmissão provavelmente não vai acontecer e o bebê irá nascer saudável, mesmo que de parto normal. 

O risco de o recém-nascido ser contaminado aumenta quando a grávida é infectada pela primeira vez com o herpes genital durante a gravidez, especialmente no terceiro trimestre, pois não haverá tempo hábil para ela produzir anticorpos. 

Além disso, há estudos que associam o herpes genital com o aumento da chance de o bebê desenvolver autismo e paralisia cerebral

Isso porque a resposta da imunidade da futura mãe à infecção causada pelo vírus Herpes simplex atrapalha o desenvolvimento do sistema nervoso central do feto. 

Quais cuidados ter durante um episódio de herpes genital?

Diante de uma crise de herpes genital, é imprescindível manter a região lesionada limpa e seca, utilizando água e sabonete neutro, de forma a evitar infecções secundárias, além de: 

  • Usar roupas íntimas de algodão e peças mais soltas, a fim de evitar o atrito com as feridas causadas pelo herpes genital;
  • Evitar coçar as lesões, pois esse ato pode espalhar o vírus para outras partes do corpo e para outras pessoas. Além disso, após tocar nas lesões, é importante lavar as mãos, evitando que o vírus afete regiões como olhos e boca. 
  • Ingerir bastante água — e, portanto, manter o corpo hidratado — ajuda na recuperação do corpo durante a crise;
  • Privar-se de relações sexuais durante a crise e, de preferência, até a cicatrização das feridas minimiza o risco de piora das lesões e de transmissão do vírus.

Manter a saúde íntima equilibrada ajuda na prevenção e no controle do herpes genital, proporcionando um bem-estar geral à paciente. 

Isso inclui buscar sempre um parecer médico. Em vista disso, convido você a marcar uma consulta comigo para tirar todas as suas dúvidas sobre herpes genital e ter um tratamento eficiente para a condição. 

📍 Av. Desembargador Moreira, 760 – Sala 1102 - Meireles – Fortaleza/CE
📍 Rua Vilela, 665 – 8º andar - Tatuapé – São Paulo/SP

💬 WhatsApp: (11) 91879-2363

🖥 www.draalinearaujo.com.br

Agende uma consulta com a Dra. Aline!

Fale agora mesmo com nossa equipe de atendimento para realizarmos o seu agendamento:

Gostou do conteúdo? Compartilhe nos botões abaixo!
WhatsApp
Facebook
Twitter
Telegram
Foto de Dra. Aline Araújo

Dra. Aline Araújo

Ginecologista e Obstetra
CRM-SP 203476 RQE 99553

Outros
artigos