Coceiras, corrimentos e odor desagradável são queixas comuns de serem ouvidas em consultórios ginecológicos. E a microscopia de conteúdo vaginal é capaz de identificar com precisão as causas por trás desses sintomas.
Mas o que vem a ser microscopia de conteúdo vaginal?
Trata-se de um exame microscópico, simples e indolor que pode ser realizado inclusive durante a consulta ginecológica.
A grande vantagem da microscopia de conteúdo vaginal é que ela é feita com amostras coletadas do conteúdo vaginal, enriquecendo a avaliação feita pela ginecologista, que geralmente se restringe à anamnese para dar um diagnóstico.
Com o microscópio, é possível detectar células inflamatórias, organismos causadores de doenças e outros elementos associados à infecção vaginal.
A precisão microscópica proporcionada pelo exame é imprescindível para evitar diagnósticos incorretos, tratamentos equivocados, uso indevido de medicamentos e retorno rápido dos sintomas.
Acompanhe a leitura deste guia e fique por dentro dos pontos-chave da microscopia de conteúdo vaginal.
O que é microscopia de conteúdo vaginal?
A microscopia de conteúdo vaginal é um exame que pode ser realizado pela própria ginecologista no consultório a partir da avaliação de secreções vaginais coletadas durante a consulta.
Com a utilização de microscópio, a médica consegue observar microrganismos, flora bacteriana, fungos e outros elementos presentes na região vaginal que podem ser a causa de desequilíbrios hormonais, infecções e outras condições que afetam a saúde da vagina.
A análise desses microrganismos possibilita um diagnóstico preciso e minucioso, o que contribui com a escolha do tratamento mais adequado a cada paciente.
Como funciona a microscopia de conteúdo vaginal?
Na consulta ginecológica, durante o exame físico feito pela médica, com uma espátula ou swab (haste tipo cotonete), ela irá retirar uma amostra do conteúdo vaginal da paciente e transferir essa secreção para uma lâmina.
Com o acréscimo de soluções específicas, como soro fisiológico ou corantes, fica mais fácil observar os elementos presentes na amostra.
E, com o auxílio do microscópio, são identificados microrganismos, leucócitos (também chamados de glóbulos brancos, são as células do sangue responsáveis pela defesa do organismo) e outros elementos responsáveis pela saúde vaginal.
A microscopia de conteúdo vaginal é um procedimento bem prático e rápido e possibilita à ginecologista entender e analisar a saúde vaginal ainda durante a consulta.
Quais doenças podem ser identificadas com a microscopia de conteúdo vaginal?
A microscopia de conteúdo vaginal auxilia na identificação de:
- Infecções bacterianas;
- Infecções por fungos;
- Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST);
- Inflamações causadas por desequilíbrio hormonal e por uso de produtos inflamatórios;
- Atrofia vaginal (afinamento e ressecamento das paredes vaginais comuns durante a menopausa).
A seguir, vamos dar nome às principais doenças que podem ser identificadas com a microscopia de conteúdo vaginal.
Vaginite
Também conhecida como vulvovaginite, é a inflamação causada na mucosa vaginal, podendo afetar também a vulva.
As causas da vaginite podem ser várias:
- Infecções bacterianas, fúngicas ou virais;
- Desequilíbrios hormonais e alergias;
- Relações sexuais sem proteção;
- Uso de roupas íntimas muito apertadas e feitas com material sintético;
- Higiene íntima insuficiente ou excessiva;
- Uso contínuo de antibiótico.
Observação: doenças como o diabetes podem deixar a paciente mais vulnerável à vaginite.
Já o principais sintomas da vaginite são:
- Coceira ou irritação vaginal;
- Ardência ao urinar;
- Dor durante a relação sexual;
- Corrimento vaginal com colorações variadas — branco, amarelo-esverdeado — e com odor forte;
- Alteração no pH vaginal.
Vaginose citolítica
A vaginose citolítica, também chamada de síndrome de Döderlein, é uma condição ginecológica caracterizada pelo excesso de lactobacilos (grupo de bactérias) na flora vaginal.
As causas mais comuns da vaginose citolítica são:
- Uso de roupas íntimas muito apertadas e feitas com materiais sintéticos;
- Utilização excessiva de produtos de higiene íntima;
- Uso contínuo de antibióticos;
- Alterações hormonais que acontecem geralmente no ciclo menstrual, na gravidez e na menopausa;
- Estresse;
- Utilização de pílulas anticoncepcionais.
Os sintomas da vaginose citolítica são:
- Coceira com piora no período menstrual;
- Corrimento esbranquiçado;
- Ardência para urinar;
- Dor durante a relação sexual;
- Queimação.
Vaginose bacteriana
Ela é resultado do desequilíbrio da microbiota vaginal. Lembrando que microbiota é o conjunto de microrganismos que habitam diversas partes do corpo e são responsáveis por funções protetoras e sintetizadoras de diferentes órgãos, como intestino e vagina.
Das principais causas da vaginose bacteriana, que pode ser identificada pela microscopia de conteúdo vaginal, destacamos:
- Alterações hormonais que acontecem geralmente na gravidez e na menopausa;
- Uso contínuo de antibióticos;
- Utilização excessiva de duchas com pressão na vagina;
- Múltiplos parceiros sexuais sem proteção;
- Episódios de estresse;
- Pós-operatório vaginal.
Os sintomas mais comuns da vaginose bacteriana são:
- Irritação e/ou coceira na área vaginal;
- Corrimento vaginal de tom acinzentado ou verde-amarelado;
- Ardência ao urinar;
- “Odor de peixe” que aumenta após a relação sexual.
Tricomoníase
É uma infecção genital com transmissão via relação sexual ou contato íntimo com secreções de quem está contaminado.
A tricomoníase pode ser transmitida em relações homem-mulher e mulher-mulher, mas geralmente acomete mais as mulheres.
Os agentes causadores da tricomoníase são especialmente estes:
- ISTs;
- Não uso de preservativo nas relações;
- Contato com secreções vaginais e uretrais de pessoa infectada;
- Presença de outras ISTs no organismo. Isso predispõe a pessoa a contrair a tricomoníase;
- Higiene íntima insatisfatória;
- Múltiplos parceiros sexuais.
Com relação aos principais sintomas da tricomoníase, destacamos estes:
- Corrimento amarelo-esverdeado;
- Dor ao urinar e durante as relações sexuais;
- Ardência e coceira na região vaginal;
- Inchaço na área vaginal;
- Vermelhidão na vagina;
- Irritação vaginal.
Todo consultório ginecológico oferece a microscopia de conteúdo vaginal?
Não! Nem todo consultório ginecológico dispõe desse tipo de tecnologia.
Além disso, a realização do exame de microscopia de conteúdo vaginal exige capacitação técnica do profissional de saúde que fará o exame.
Médicos, biomédicos, farmacêuticos bioquímicos e enfermeiros obstetras ou ginecológicos podem realizar esse exame.
Com ele, os diagnósticos deixam de ser baseados apenas nas queixas das pacientes e passam a ser mais precisos e rápidos.
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