O corrimento vaginal é uma secreção produzida naturalmente pela vagina para fins de proteção e limpeza. Mas o corrimento de repetição pode sinalizar desequilíbrio na flora vaginal, inflamações e até ISTs.
Por isso, é imprescindível investigar, diagnosticar e tratar corretamente essa condição, evitando o uso de medicações genéricas e sem eficácia, que acabam mascarando os sintomas e comprometendo a saúde íntima (e a global) da paciente.
E, para que a investigação, o diagnóstico e o tratamento do corrimento sejam verdadeiramente efetivos, o uso da microscopia de conteúdo vaginal é fundamental.
Pensando na importância do tema, preparamos este guia exclusivo para você, cara leitora. Nele, vamos explicar por que a microscopia é fundamental para o diagnóstico preciso do corrimento de repetição e as possíveis causas de corrimentos incômodos.
Por que a microscopia é fundamental para o diagnóstico do corrimento de repetição
Antes de falar da importância da microscopia para diagnosticar o corrimento de repetição, você precisa entender o que é a microscopia de conteúdo vaginal.
Trata-se de um exame que analisa uma amostra da secreção da vagina diretamente no microscópio.
A microscopia vaginal é um procedimento rápido, não invasivo, realizado em consultório médico e que apresenta resultados instantâneos.
Ela pode ser realizada de duas formas: a fresco ou de Gram.
Microscopia a fresco (direta)
A microscopia a fresco é feita em consultório médico durante o exame ginecológico.
A secreção é retirada com um swab (tipo cotonete) e colocada em uma lâmina com soro fisiológico.
Com o microscópio, a ginecologista observa a presença de microrganismos, células anormais e condição da flora vaginal.
Microscopia de Gram
A coleta da secreção é feita em consultório médico, mas o material coletado é enviado ao laboratório.
Lá a amostra recebe corantes (reagentes) que mostram a presença de bactérias, fungos, bem como alterações celulares.
Com relação à importância da microscopia para o diagnóstico preciso do corrimento de repetição, ela é capaz de diferenciar causas semelhantes do corrimento, permitindo o tratamento mais apropriado a cada paciente.
Isso quer dizer que a microscopia identifica exatamente o agente causador do corrimento de repetição — fungo, bactéria ou parasita — evitando os erros comuns cometidos nos diagnósticos apenas clínicos.
Lembrando que infecções como vaginose, candidíase e tricomoníase, por exemplo, podem apresentar sintomas muito semelhantes, e a microscopia de conteúdo vaginal mostra características específicas de cada uma delas.
Ao evitar diagnósticos errados, a microscopia impede o uso indevido de medicamentos, minimiza os sintomas e melhora a saúde íntima (e integral) da mulher.
Veja outras vantagens da microscopia no diagnóstico do corrimento de repetição:
- Detecta desequilíbrios na flora vaginal, como, por exemplo, a queda de lactobacilos (bactérias “saudáveis” que ajudam a manter o pH ácido, protegendo contra infecções na região íntima e equilibrando a flora vaginal), que está associada à volta frequente do corrimento;
- Identifica a presença de mais de uma infecção, o que é comum em quadros de corrimento de repetição;
- A microscopia a fresco mapeia, na hora, microrganismos vivos e o nível de inflamação, agilizando o tratamento mais adequado a cada paciente;
- Distingue infecções, inflamações e alterações não infecciosas;
- Evita o uso desnecessário de antibióticos, diminuindo a recorrência do corrimento;
- Mapeia fatores relacionados à repetição do corrimento, como pH alterado, flora vaginal desequilibrada, queda dos lactobacilos
- Acompanha a evolução do tratamento, na medida em que a microscopia pode ser repetida para avaliar melhora, reincidência ou permanência do quadro.
Quais são as principais causas do corrimento de repetição?
Como pudemos perceber até aqui, são várias os agentes causadores do corrimento de repetição. Os principais deles, você confere logo abaixo, cara leitora. Acompanhe!
- Candidíase de repetição: proliferação repetida do fungo Candida albicans. Essa multiplicação é comumente associada a estresse, alterações hormonais e uso de antibióticos;
- Vaginose bacteriana: desequilíbrio da flora vaginal, com diminuição de lactobacilos e aumento de bactérias anaeróbias (microrganismos que conseguem se multiplicar sem a presença de oxigênio);
- Tricomoníase: IST (Infecção Sexualmente Transmissível) causada pelo parasita Trichomonas vaginalis. Desencadeia corrimento com mau cheiro, coceira, ardência ao urinar e irritação vaginal;
- Tratamentos inapropriados: diagnóstico incorreto que não trata a causa real do corrimento de repetição ou uso indevido de medicamentos (especialmente antibióticos);
- ISTs: gonorreia e clamídia, por exemplo, quando não detectadas, podem causar o corrimento de repetição;
- Alterações hormonais: ciclo menstrual irregular, menopausa, uso continuado de contraceptivo e gravidez são condições que alteram o pH da vagina e a imunidade local, podendo causar o corrimento de repetição;
- Alergias e irritações: o contato da região íntima com lubrificantes, sabonetes íntimos, látex e tecidos sintéticos pode desencadear inflamações locais e, como consequência, corrimento de repetição;
- Higiene íntima inadequada: duchas e produtos com fragrância, por exemplo, podem irritar e desequilibrar a mucosa da região íntima, gerando, em muitos casos, o corrimento de repetição.
Toda ginecologista é habilitado para usar a microscopia?
Vimos, ao longo deste guia, que, sem a microscopia de conteúdo vaginal, as causas do corrimento de repetição geralmente são confundidas e, por conta disso, o tratamento do corrimento pode ser incorreto, trazendo prejuízos à saúde íntima da mulher.
Cientes disso, uma dúvida que pode surgir é: toda ginecologista usa a microscopia para dar diagnósticos?
E a resposta é “não”. A ginecologista precisa ser especialista em microscopia para diagnosticar usando essa técnica.
Então, quando for se consultar com uma ginecologista, verifique de antemão se ela tem especialidade em microscopia de conteúdo vaginal.
Eu utilizo a microscopia em minhas consultas. Então, se seu caso é corrimento de repetição ou outra condição ginecológica, como atrofia vaginal, o material vaginal será coletado de forma indolor e simples, para identificar a causa real dessa condição e propor o melhor tratamento a você.
Marque um horário comigo para chegarmos ao diagnóstico mais preciso e ao tratamento mais eficaz para o seu caso, lembrando que o diagnóstico apenas clínico está suscetível a falhas.
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