Exame do Cotonete: a importância de identificar o estreptococo do grupo B

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Dra. Aline Araújo

Ginecologista e Obstetra
CRM-SP 203476 RQE 99553

A gestação envolve um misto de emoções e, na fase final do pré-natal, as expectativas podem se intensificar, assim como uma série de exames costuma ser solicitada pelo(a) obstetra. O exame do cotonete para gestante é um deles. 

Você sabe o que é o teste do cotonete, para que serve e como ele é feito?

O exame do cotonete, como é popularmente conhecido, detecta a presença de uma bactéria comum no organismo da mulher, mas que pode apresentar riscos para o bebê durante o parto

Daí a importância de conhecer esse exame, que pode trazer mais tranquilidade à gestante e mais segurança ao recém-nascido. 

Desde já, é importante dizer que, se o exame der positivo, procure não ficar muito alarmada, pois a finalidade do exame é, acima de tudo, proteger o recém-nascido e a gestante

Acompanhe a leitura deste guia que preparamos com carinho e dedicação para você, amiga leitora.  

O que é o exame do cotonete para gestante?

O exame do cotonete nada mais é que o exame para o estreptococo do tipo B, também conhecido como Streptococcus agalactiae ou SGB. 

O estreptococo do grupo B é uma bactéria que, naturalmente, habita o trato gastrointestinal, urinário e vaginal sem, a princípio, causar algum sintoma.

Porém, na gestante, essa bactéria pode se alastrar pela vagina e trazer complicações especialmente no momento do parto, passando da mãe para o bebê, gerando complicações para ele. 

Para evitar que o feto seja contaminado pelo SGB e sofra consequências (em alguns casos, graves), recomenda-se, entre a 35ª e 37ª semana de gestação, fazer o exame do cotonete.

Também conhecido como swab vaginal e retal, trata-se de um teste laboratorial de rastreio para detecção do estreptococo do grupo B no corpo da gestante. 

E aqui cabe este dado importante: cerca de 10% a 30% das gestantes carregam consigo essa bactéria. 

A boa notícia é que ter essa bactéria não quer dizer que a grávida está doente, mas medidas precisam ser tomadas para proteger o bebê de riscos durante o parto. 

Vale a pena destacar que o exame do cotonete é simples, rápido e indolor, e ajuda a proteger o recém-nascido contra infecções graves logo após o nascimento. 

Como é realizado esse exame?

O exame do cotonete é feito no próprio consultório médico ou em laboratório. 

O profissional de saúde utiliza um swab (haste flexível com algodão na extremidade, parecida com um cotonete, só que mais comprida e estéril) para colher amostras em duas regiões: vagina e ânus

Essas áreas são estratégicas, pois é nelas que é possível identificar uma presença mais maciça da bactéria estreptococo do grupo B. 

O procedimento pode ser incômodo, mas é bem rápido (alguns minutos) e praticamente indolor. 

Após a coleta das amostras, os swabs são encaminhados para o laboratório e, entre 24 e 48 horas, o resultado é liberado. 

Caso dê positivo, o obstetra analisa se há presença e sintomas de infecção e, se necessário, indica o tratamento que, na maioria das vezes, é feito com aplicação de antibiótico intravenoso durante o parto.

Uma vez realizado com critério, o tratamento chega a reduzir em até 80% os riscos de infecções neonatais decorrentes da bactéria SGB

Das principais infecções causadas pelo estreptococo do grupo B em recém-nascidos, destacamos estas três: pneumonia, meningite e sepse. 

Alguns médicos não solicitam o exame do cotonete em grávidas com gestação de risco habitual já que, mesmo não administrando antibiótico, o risco de o bebê pegar uma infecção grave durante o parto é baixo — cerca de 0,5%. 

Outro dado importante é que o exame do cotonete para gestante é feito no fim da gravidez, entre a 35ª e 37ª semana de gestação, como já mencionamos aqui, pois a contaminação do bebê ocorre principalmente no momento do parto. 

Há algum preparo para o exame do cotonete?

Não há necessidade de um preparo rígido para o exame do cotonete para gestante, porém o laboratório ou o médico pode solicitar algumas ações simples a serem tomadas de 24 a 48 horas antes do exame, as quais podem contribuir com a precisão do resultado

São elas:

  • Evitar relações sexuais 24 antes do exame. 
  • Não fazer duchas vaginais.
  • Não utilizar cremes nem pomadas vaginais. 
  • Não fazer xixi duas horas antes do exame.
  • Não utilizar antibiótico 7 dias antes. 

A cesárea dispensa o teste?

A resposta é não. Se a cesárea for agendada e ocorrer antes do rompimento da bolsa amniótica, o risco de transmissão do estreptococo do grupo B para o feto é baixo.

Cabe aqui destacar que a cesárea geralmente é feita com 39 semanas de gestação. Porém, se a bolsa se romper ou o trabalho de parto iniciar antes da cirurgia, o bebê pode ficar mais exposto à bactéria

Por conta disso, a indicação de rastreio da SGB e, se necessário, de tratamento, na maioria dos casos, é mantida. 

Dessa forma, mesmo as gestantes com cesárea programada devem fazer o exame do cotonete entre a 35ª e 37ª semana de gravidez. 

O exame de cotonete para gestante é uma medida de precaução fundamental para proteger o bebê de infecções graves logo após o nascimento. 

A prevenção na gestação é um gesto de amor e segurança

A gravidez é um período muito sonhado por grande parte das mulheres e ela inspira cuidados, como realizar exames de sangue, urina e ultrassonografias. Isso tudo para acompanhar a saúde da mãe e do bebê em desenvolvimento

Além disso, seguir uma dieta equilibrada, fazer suplementações orientadas pela(o) obstetra, praticar atividades físicas leves e manter consultas regulares faz toda a diferença para a gestação. 

O exame do cotonete para gestante complementa os cuidados pré-natais essenciais para o parto e o futuro do bebê. Por isso, eu te convido a agendar uma consulta comigo para acompanharmos sua saúde gestacional e fazermos um parto humano e responsável.

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