Ferritina baixa e seus riscos para a gravidez saudável

ferritina baixa na gravidez
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Dra. Aline Araújo

Ginecologista e Obstetra
CRM-SP 203476 RQE 99553

A ferritina é uma proteína essencial para a vida. Ela funciona como um verdadeiro “estoque” de ferro no organismo — um nutriente indispensável para a produção de energia, transporte de oxigênio e bom funcionamento do cérebro e dos músculos.

Durante a gestação, essa importância se multiplica. Afinal, o corpo da mulher passa a sustentar não apenas a si mesma, mas também o desenvolvimento de um novo ser humano. Por isso, a ferritina baixa na gravidez merece atenção especial.

Se você está grávida ou se preparando para engravidar, entender o papel da ferritina é um passo importante para garantir uma gestação mais segura e saudável. 

Ao longo deste artigo, você vai descobrir por que manter bons níveis dessa proteína é fundamental, quais são os riscos da ferritina baixa e como tratar o problema de forma adequada.

O que é ferritina?

É muito comum ouvirmos falar sobre a importância do ferro no organismo. Mas o que muitas pessoas não sabem é que a ferritina está diretamente relacionada a esse mineral.

A ferritina é uma proteína produzida principalmente pelo fígado e armazenada nas células do corpo. Sua principal função é guardar o ferro e liberá-lo conforme a necessidade do organismo.

Isso significa que ela age como uma reserva estratégica. Quando o corpo precisa produzir hemoglobina — a proteína responsável por transportar oxigênio pelo sangue — a ferritina libera o ferro necessário. Além disso, ela também protege as células contra os efeitos tóxicos do ferro livre em excesso.

A maior parte da ferritina está presente no fígado, no baço e na medula óssea. No entanto, uma pequena quantidade circula no sangue — e é justamente essa fração que pode ser medida por meio de exames laboratoriais.

Por isso, o exame de ferritina é um dos principais indicadores das reservas de ferro no corpo, ajudando a identificar tanto a deficiência quanto o excesso desse nutriente.

Por que a ferritina é tão importante na gravidez?

Durante a gestação, a necessidade de ferro aumenta de forma significativa. Isso acontece por alguns motivos importantes:

  • O volume de sangue da gestante aumenta consideravelmente;
  • O bebê precisa de ferro para formar seus órgãos e tecidos;
  • A placenta também demanda esse nutriente para seu desenvolvimento adequado.

Diante desse cenário, a ferritina torna-se peça-chave para garantir que haja ferro suficiente circulando no organismo materno para atender às necessidades da mãe e do bebê.

De forma geral, considera-se que o nível ideal de ferritina durante a gravidez deve estar acima de 30 ng/mL (nanogramas por mililitro de sangue). Valores abaixo disso indicam estoques reduzidos e risco aumentado para anemia ferropriva.

Na mãe, esse equilíbrio previne a chamada anemia ferropriva, que pode causar, além de fadiga, complicações no parto. 

Já no feto, taxas adequadas de ferritina atuam diretamente no desenvolvimento cognitivo e motor do bebê, inclusive no longo prazo, impactando o aprendizado e o comportamento futuros. 

A ferritina baixa na gravidez pode trazer prejuízos graves tanto para a gestante quanto para o feto, como: parto prematuro e atraso no desenvolvimento neuropsicomotor do bebê

No próximo tópico, iremos aprofundar essas questões. Continue acompanhando a leitura! 

Ferritina baixa na gravidez: quais são os riscos?

A ferritina baixa na gravidez é uma situação relativamente comum. Isso ocorre porque o corpo da mulher passa por grandes transformações e precisa produzir mais sangue para sustentar a gestação.

Com essa maior demanda, os estoques de ferro podem diminuir rapidamente — especialmente se a ingestão alimentar não for suficiente.

Além disso, o bebê utiliza o ferro materno para seu crescimento e desenvolvimento, o que também contribui para a redução das reservas ao longo dos meses.

Quando a ferritina está baixa, o risco de anemia ferropriva aumenta. E a anemia na gravidez não deve ser negligenciada.

Riscos para a gestante

A ferritina baixa pode causar:

  • Anemia com fraqueza intensa e cansaço persistente;
  • Tonturas e maior risco de desmaios;
  • Dificuldade de concentração e lapsos de memória;
  • Queda de cabelo;
  • Baixa imunidade;
  • Maior propensão a complicações no parto;
  • Maior risco de desenvolver hipertensão gestacional.

Muitas vezes, sintomas como cansaço excessivo são atribuídos apenas à gestação, o que pode atrasar o diagnóstico. Por isso, o acompanhamento pré-natal é essencial.

Riscos para o bebê

Os impactos da ferritina baixa na gravidez também podem atingir diretamente o desenvolvimento fetal. Entre os principais riscos estão:

  • Parto prematuro;
  • Baixo peso ao nascer;
  • Comprometimento do desenvolvimento cerebral;
  • Atraso no desenvolvimento neuropsicomotor;
  • Maior risco de abortamento.

Estudos mostram que níveis inadequados de ferro durante a gestação podem influenciar o desenvolvimento cognitivo da criança a longo prazo, impactando aprendizagem e comportamento futuros.

O que fazer para tratar a ferritina baixa na gravidez?

Como vimos no tópico anterior, a ferritina baixa na gravidez é um evento comum. 

Por conta disso, o ideal é, ainda antes da gestação, fazer suplementação com ácido fólico nos meses anteriores à concepção. 

Isso porque o ácido fólico ajuda a produzir glóbulos vermelhos, que auxilia na prevenção da anemia e na preparação do corpo materno para a gestação.

Além disso, o ácido fólico age em conjunto com o ferro na formação do sangue, contribuindo com o estoque durante a gravidez. 

Também durante a gestação, é fundamental manter uma alimentação balanceada e rica em ferro; assim, é possível garantir níveis seguros de ferritina ao longo desse período. 

Na dieta da grávida, não podem faltar alimentos, como:

  • Carnes vermelhas;
  • Aves e peixes;
  • Vegetais verde-escuros;
  • Oleaginosas e sementes, como castanhas e sementes de abóboras;
  • Feijão. 

Quando o cardápio da gestante não for suficiente para repor o ferro, o que é comum de acontecer, é preciso fazer uma suplementação de ferro individualizada, podendo ser necessária inclusive uma medicação intravenosa. 

É importante lembrar que a automedicação, especialmente na gravidez, deve ser evitada, pois níveis excessivos de ferro podem ser muito prejudiciais à gestante e ao feto. 

O tratamento inicial da ferritina baixa na gravidez é com administração do ferro oral, que deve ser tomado em jejum ou com suco cítrico, porque a vitamina C ajuda na absorção do ferro. 

Aliado a uma dieta balanceada, o ferro oral é a primeira opção para combater a anemia (de leve a moderada) nas gestantes. 

Já a aplicação intravenosa do ferro é indicada para casos de anemia moderada a grave em gestantes e de falha no tratamento com ferro oral principalmente. 

O acompanhamento pré-natal é o momento ideal para monitorar os níveis de ferritina e prevenir complicações.

Com exames periódicos, é possível identificar precocemente a queda dos estoques de ferro e iniciar o tratamento adequado antes que a anemia se instale ou se agrave.

Agende uma consulta com a Drª. Aline para não só verificar a ferritina baixa na gravidez, mas também fazer um pré-natal de qualidade e com toda a atenção que o período merece. 

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