O jeito certo de fazer reposição hormonal na menopausa

reposição hormonal na menopausa
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Dra. Aline Araújo

Ginecologista e Obstetra
CRM-SP 203476 RQE 99553

Sintomas como irritabilidade, ondas de calor, insônia e ressecamento podem ser comuns durante a menopausa, mas não devem ser normalizados.

Para aliviar esses sintomas, que podem ser muito incômodos, a reposição hormonal pode ser necessária

Mas será que a reposição hormonal é recomendada a todas as mulheres que estão passando pela menopausa? Como é feita essa reposição? Qual a importância dela?

Acompanhe a leitura deste guia e fique por dentro dessas (e de outras) questões tão significativas para essa fase tão transformadora. 

Recapitulando o conceito e os sintomas da menopausa

A menopausa é a interrupção natural dos ciclos menstruais da mulher devido à queda dos hormônios produzidos pelos ovários. Esse fenômeno geralmente ocorre entre 45 e 55 anos

Ou seja, a menopausa corresponde ao término definitivo do período menstrual iniciado lá na puberdade e, como consequência, ela encerra também a vida fértil da mulher.

Uma dúvida que pode surgir é “como eu posso ter certeza de que estou na menopausa”? 

Para a Medicina, a menopausa é confirmada a partir de três caminhos principais:

  • Após 12 meses sem a ocorrência de uma nova menstruação;
  • Com a presença dos sintomas-chave da menopausa, como ciclos menstruais irregulares, ondas de calor, alterações no sono e no humor, ressecamento vaginal;
  • Por meio de exames hormonais, com FSH muito elevado e Estradiol baixo. 

O FSH — Hormônio Folículo-Estimulante — é produzido pela glândula hipófise, localizada no cérebro. O FSH é um dos responsáveis por regular o sistema reprodutivo feminino. 

Já o Estradiol é o principal hormônio feminino produzido pelos ovários e ele regula o ciclo menstrual, mantém a saúde da pele, dos ossos, dos órgãos reprodutores, bem como estabiliza o humor. 

E os sintomas da menopausa, quais são? Os principais deles você confere abaixo! 

  • Ondas de calor e os fogachos (súbito calor intenso que geralmente começa no rosto e no peito e depois se espalha por todo o corpo);
  • Suor noturno;
  • Queda da libido;
  • Ressecamento vaginal;
  • Oscilações de humor, incluindo melancolia (e até depressão) e distúrbio de ansiedade; 
  • Insônia;
  • Menstruação irregular (até encerrar completamente);
  • Ganho de peso;
  • Pele e cabelo mais secos;
  • Dor nas articulações;
  • Dificuldade de concentração e de memorização;
  • Diminuição da massa óssea — osteopenia ou osteoporose. 

Será que toda mulher deve fazer reposição hormonal na menopausa?

A menopausa é marcada pela queda significativa dos níveis hormonais femininos — especialmente do estrogênio —, desencadeando os sintomas mencionados no tópico anterior. 

Quando esses sintomas prejudicam consideravelmente o bem-estar físico e emocional, o sono, o humor e a qualidade de vida geral da mulher, a reposição hormonal na menopausa é indicada.  

Essa reposição engloba a administração de estrogênio isolado ou combinado com progestagênio e, em alguns casos, testosterona, em doses e terapias diferentes, conforme as necessidades individuais das pacientes, levando em conta:

  • Histórico clínico dessas pacientes;
  • Intensidade dos sintomas;
  • Riscos individuais;
  • Estilo de vida. 

Nesse sentido, mulheres que apresentam, por exemplo, fogachos intensos e recorrentes, osteoporose e depressão podem ser muito beneficiadas com a reposição hormonal na menopausa. 

Por outro lado, mulheres com as seguintes condições não devem fazer (ou devem evitar) a reposição:

  • Câncer de mama ou do endométrio;
  • Doenças hepáticas;
  • Trombose; 
  • Sangramentos vaginais com causa desconhecida;
  • Hipersensibilidade aos hormônios usados nas terapias.

Essas mulheres devem ser encaminhadas a outras opções de tratamento. 

Além disso, mulheres hipertensas, obesas e com riscos metabólicos e cardiovasculares  não são impedidas de fazer a reposição hormonal na menopausa, mas o método dessa reposição deve ser preferencialmente o transdérmico.

Nele a aplicação do hormônio se dá pela pele, em forma de gel. Essa preferência evita grandes interferências no metabolismo da paciente. 

Como é feita a reposição hormonal na menopausa?

A reposição hormonal na menopausa tem como “protagonista” o estradiol — já mencionado aqui. 

Porém, dependendo do caso da paciente, pode ser recomendada também reposição de progesterona e testosterona

Esses três hormônios podem ser administrados via comprimido oral, gel ou adesivo. 

Vamos entender como se dá a reposição hormonal na menopausa a partir de cada um desses hormônios? 

Estradiol

O estradiol é o principal hormônio da reposição e o estrogênio mais importante produzido pelos ovários durante a vida reprodutiva da mulher. 

O estradiol da reposição hormonal na menopausa é produzido em laboratório e é chamado de “bioidêntico”, justamente por ser igual ao estradiol natural do corpo. 

Ele repõe o hormônio que cai durante a menopausa, aliviando ondas de calor, ressecamento vaginal, oscilações de humor e insônia.

Além disso, o estradiol contribui para a melhora da disposição física e da massa óssea.  

A aplicação do estradiol pode acontecer via oral, através de comprimidos ou transdérmica, por meio de adesivos, sprays e géis

A forma transdérmica geralmente é considerada mais segura, pois apresenta menor risco de trombose, mas a via de aplicação e a dosagem variam de paciente para paciente e devem ser definidas pela ginecologista

Com relação a géis, sprays e adesivos, a aplicação de cada um deles possui alguns detalhes. Confira! 

  • Géis: são aplicados diretamente na pele (na região das coxas, dos ombros ou braços), possuem absorção rápida e apresentam menos impacto no fígado em relação aos comprimidos;
  • Sprays: aplicados geralmente no antebraço e geram menos impacto no fígado também;
  • Adesivos: liberam estradiol continuamente por 3 a 7 dias, não devem ser colados no rosto nem nas mamas e são ideais para quem se esquece de tomar comprimidos. 

Progestágeno

A reposição hormonal na menopausa para mulheres com útero deve ser feita com uma combinação de estradiol e progestágeno (hormônio que protege o útero, diminuindo o risco de câncer do endométrio). 

As formas de uso do progestágeno são:

  • Comprimidos;
  • Cápsulas vaginais;
  • DIU hormonal;
  • Esquema cíclico, que imita o padrão hormonal no período pré-menopausa. 

A opção por um desses métodos depende do histórico da paciente e da preferência dela. 

O progestágeno pode ser usado ininterruptamente ou em ciclos mensais para simular o padrão natural da mulher

A melhor opção deve ser sugerida pela ginecologista, de acordo com sintomas apresentados pela paciente, bem como a tolerância ao hormônio. 

Testosterona

A testosterona é indicada quando há perda considerável da libido, fadiga e falta de vitalidade. 

A prescrição da testosterona na reposição hormonal na menopausa geralmente é combinada com estrogênio e progesterona

A testosterona é associada a esses dois hormônios, pois seu efeito é complementar, de forma a equilibrar bem-estar físico e sexual durante a reposição. 

A testosterona deve ser usada em doses superbaixas, geralmente em gel, a fim de manter os níveis hormonais desse hormônio em condições normais para as mulheres e, ao mesmo tempo, evitar efeitos masculinizantes, como pelos, acne e oleosidade na pele, por exemplo. 

Qual a importância da reposição hormonal na menopausa?

Para finalizar este guia, vamos apresentar, de forma sucinta, os principais benefícios trazidos pela reposição hormonal na menopausa.

  • Alivia as ondas de calor e os suores noturnos;
  • Diminui o ressecamento vaginal e melhora a saúde sexual como um todo;
  • Reduz dores articulares;
  • Aumenta a disposição;
  • Melhora o sono, estabiliza o humor e traz mais qualidade de vida;
  • Ajuda a preservar massa óssea, prevenindo a osteoporose e a osteopenia;
  • Impacta a saúde mental, minimizando a irritabilidade. 

Se você acompanhou a leitura deste guia até o fim, pôde perceber o quanto a reposição hormonal na menopausa pode fazer toda a diferença. Por isso, convido você a marcar uma consulta comigo para escolhermos a melhor alternativa para o seu caso particular.

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